Prove Portugal

Introdução

O BOM SABOR DE PORTUGAL

Trata-se de construir uma imagem convincente do que temos de melhor nos domínios da gastronomia e vinhos, de a dar a conhecer ao mundo e às suas gentes, ganhando-as para a certeza de que o sabor de Portugal é requintado, sofisticado e cosmopolita.

Nós, portugueses, somos um povo possuidor de um património cultural rico, variado e original.
É neste âmbito que se enquadra a nossa gastronomia a qual, como alguém escreveu,
“constitui seguramente um ramo da estética e ensina a arte de viver em sociedade”.
Neste particular, não nos falta nada. Temos pães feitos com farinhas de todos os melhores cereais, temos um fumeiro de uma riqueza e variedade incomuns, temos os melhores peixes e mariscos do mundo, temos algumas carnes estimáveis e dois ou três queijos de que nos podemos orgulhar.
São portugueses um dos grandes vinhos do mundo, o Porto, e um conjunto de vinhos de mesa, cuja qualidade é cada vez mais reconhecida. Temos, finalmente, um modo artesão de fazer muitos dos produtos citados, que pode e deve ser valorizado neste nosso mundo globalizado. Se temos um modo de ser únicos, então faz falta que valorizemos tal característica e qualidade. Mas se temos consciência da nossa individualidade de povo velho de muitos séculos, também temos que ter a lucidez de constatar que quase ninguém conhece o que temos de melhor nos domínios da gastronomia.

Esta não pretende resolver os problemas da Humanidade. A sua função é muito mais comezinha, mas igualmente nobre: permitir que os homens se relacionem melhor e sejam mais sábios sobre um assunto que tem a ver com a sua qualidade de vida e da sociedade em que se integram, ou seja, com a sua felicidade.
Um gastrónomo, quando o é em consciência, é uma espécie de guardião da integridade e da genuinidade do domínio alimentar de toda uma comunidade.

Faz também sentido chamar a atenção para o facto de, na última década, termos assistido ao aparecimento de um conjunto de cozinheiras e cozinheiros, alguns dos quais, devido ao seu talento criativo, ganharam direito ao título de chefes de cozinha, os quais, maioritariamente ancorados no melhor que tem a nossa culinária tradicional, nos posicionam num patamar que aponta para a modernidade e, até, a vanguarda.

Estamos, então, num daqueles momentos em que o que faz falta é unir vontades, boas vontades, energias, capacidade de trabalho, rigor e disciplina que nos façam dar um salto em frente. Não será tarefa fácil convencer o mundo de que Portugal é um lugar de coisas boas, originais, saborosíssimas. Mas, embora muitas vezes não pareça, nós ainda não perdemos o jeito e a capacidade para respondermos aos desafios que se nos colocam. Agora trata-se de construir uma imagem convincente do que temos de melhor nos domínios das gastronomia e vinhos, de a dar a conhecer ao mundo e às suas gentes, ganhando-as para a certeza de que o sabor de Portugal é requintado, sofisticado e cosmopolita.

DAVID LOPES RAMOS,
JORNALISTA GASTRONÓMICO

 

O Programa Prove Portugal

O programa Prove Portugal visa afirmar Portugal como um país-destino gastronómico, sensibilizando, nacional e internacionalmente, para os muitos atributos da nossa gastronomia, sustentada em produtos genuínos de grande qualidade e em profissionais que, a cada dia, reinventam a nossa cozinha e os nossos vinhos.

Prove Portugal contempla um Programa de Acções diversificado e orientado para diversos públicos nacionais e internacionais e que, a todo o tempo, pode incorporar novas iniciativas de parceiros públicos e privados, nas seguintes áreas prioritárias de actuação do Programa:

 

  1. Divulgar e promover a gastronomia
  2. Qualificar os recursos
  3. Valorizar os produtos

Os Destinatários

No plano internacional, a promoção da gastronomia é dirigida aos turistas dos nossos principais mercados emissores e aos opinion-leaders internacionais.

No plano nacional, as acções estão orientadas para os turistas nacionais mas também para todos os profissionais que contribuem para a qualificação da oferta gastronómica.

Os Parceiros

É propósito do Programa alcançar a mobilização de todos os agentes que directa e indirectamente estão associados à oferta de Gastronomia e Vinhos, para que, de forma concertada, se transmita, a todos os que nos visitam, os valores culturais a eles associados e o enriquecimento que podem proporcionar à experiência da(s) estadia(s) em Portugal.

Turismo de Portugal, Entidades Regionais de Turismo e Regiões Autónomas, Associações profissionais e empresariais, Entidades da Administração Central (Economia, Agricultura e Pescas, Cultura) e Local, Entidades Públicas e Privadas e profissionais – todos com um papel importante a desempenhar.

Prove Portugal conta com a colaboração técnica da Academia Portuguesa de Gastronomia e a coordenação geral de José Bento dos Santos.

Entidades aderentes:
Entidades Regionais de Turismo, Regiões Autónomas, Confederação do Turismo Português, Associação dos Hotéis de Portugal, AHRESP, APHORT, Associação dos Cozinheiros Profissionais de Portugal, Instituto do Vinho e da Vinha, Viniportugal, Direcção-Geral das Pescas, Companhia das Lezírias, “Compro o que é nosso”, Pousadas de Portugal, Fundação Portuguesa de Cardiologia.

Portugal, um destino Gastronómico de Eleição

JOSE BENTO DOS SANTOS,
PRESIDENTE DA ACADEMIA PORTUGUESA DE GASTRONOMIA

Devemo-nos orgulhar do nosso património culinário e gastronómico, quer quanto ao seu papel histórico, quer quanto à sua valia actual.


Fomos nós que, com as Descobertas, introduzimos na Europa muitos dos produtos que hoje fazem parte do quotidiano alimentar: as especiarias, nomeadamente a pimenta, o cravinho e a canela, mas também o gengibre, os coentros, os pimentos, o tomate ou a paprika, hoje profusamente utilizados como ingredientes fundamentais.


Mas também Portugal desenvolveu uma cozinha própria, distinta, com receitas tradicionais únicas que provocam a surpresa e fazem as delícias a quem nos visita. A par dessa maravilhosa tradição, temos hoje um escol de cozinheiros que sabem interpretar na perfeição esses clássicos, mas que se impõem também nas novas cozinhas da modernidade e até de vanguarda.


E, suprema felicidade, os nossos pescadores pescam nas nossas costas o melhor peixe do mundo, os nossos agricultores produzem os mais delicados produtos hortícolas e fruta de eleição, o nosso azeite, como dizia Eça de Queiroz “é digno dos lábios de Platão”, o nosso sal, os nossos queijos, os nossos vinhos, são produtos de excelência reconhecidos pelos maiores especialistas.
E como não referir a nossa doçaria, tão diversa quanto gulosa, elevando ao cume a arte de transformar o açúcar?

Infelizmente, esta realidade insofismável não é identificável pelo cidadão estrangeiro comum, que não está familiarizado com a nossa capacidade real no campo gastronómico, portanto não se sentindo motivado para nos visitar para desfrutar da cozinha portuguesa.


E como é possível que ainda hoje não nos lembrem como destino gastronómico de eleição, tendo para connosco uma dívida de gratidão pelo nosso papel histórico fundamental no desenvolvimento da gastronomia europeia e mundial e ignorando a superior qualidade dos nossos produtos, das nossas receitas e dos nossos Chefs?


Esta falta de identidade gastronómica bem merece um esforço de todos nós, com confiança e motivação, para impormos ao mundo uma imagem que reflicta a nossa riqueza e o nosso património no campo da culinária.


Uma imagem convincente daquilo que somos e somos capazes de ser, que se auto-sustenha no futuro, para ser admirada com respeito, da qual todos nos orgulhemos e da qual todos desfrutemos os resultados.